O vereador Joel Garcia (PDT), preso há treze dias para não obstruir os trabalhos de investigação do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre uma denúncia de que teria contratado uma funcionária fantasma, mantinha comunicação, dentro da cela, pela internet.Nesta terça-feira (9), uma revista feita na sala que o vereador ocupa no 5º Batalhão da Polícia Militar encontrou um laptop que permitia a comunicação online ao vereador, além de latas de cerveja e um isopor com gelo.
No dia 29 de janeiro, Joel Garcia foi detido no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina. No dia seguinte, foi transferido para um alojamento na sede do 5º BPM. A defesa do vereador alegou que, na condição de advogado licenciado pela Ordem dos Advogados do Brasil, ele teria direito à detenção em "sala do Estado Maior". O juiz Bruno Pegoraro acatou a tese da defesa e determinou a transferência de Garcia.
Nesta terça-feira, o subcomandante do 5º BPM, major Júlio Richter, informou que uma sindicância foi aberta para apurar o caso. Segundo ele, a orientação recebida no momento da detenção do político foi para que ele não tivesse regalias e recebesse tratamento semelhante ao que teria se estivesse detido no CDR.
A Polícia Militar garante que investigará se houve facilitação para a entrada do laptop e bebida no local. Se algum oficial foi responsável pelo ingresso ilegal dos objetos, poderá ser punido, segundo o subcomandante.
O Gaeco deverá fazer um rastreamento no laptop usado por Garcia na prisão para detectar os destinos com os quais o vereador fez contato online. Ele foi detido para não obstruir os trabalhos de investigação sobre a denúncia de que é alvo.
Prisão domiciliar
A defesa de Joel Garcia deve pedir, nas próximas horas, nova transferência do vereador. O advogado Maurício Carneiro antecipou ao jornalista Fábio Silveira, do "Jornal de Londrina", que pretende pleitear prisão domiciliar para seu cliente, já que a sede do 5º BPM não conta com uma sala de Estado Maior para abrigar Garcia.
Como o vereador não está condenado - é objeto de prisão preventiva - tem direito, segundo o advogado, à prisão domiciliar. "Se o juiz da 2ª Vara Criminal não atender o pleito, vou ao Supremo (Tribunal Federal)", afirmou ao "JL".