Rio de Janeiro - A vitória do Salgueiro no carnaval do Rio de Janeiro foi mais uma vitória da mulher no comando das escolas de samba. Embora elas sempre tenham participado da festa, o seu papel geralmente era o de costureiras, passistas, destaques, cozinheiras ou no máximo carnavalescas.Presidentes de escolas são poucas na história do samba fluminense, como Regina Celi Fernandes Duran, que assumiu o Salgueiro recentemente.
Detalhista e exigente, Regina é conhecida por todos os integrantes da agremiação como a mãezona, pelo estilo de administrar, com broncas e carinhos. Ela não considera haver diferença, por ser mulher, ao liderar um grupo de diretores e integrantes da escola formado, na sua maioria, por homens. Os 4.800 componentes do Salgueiro são meus filhos, disse.
Ela não gosta de ver ninguém de cabeça baixa no barracão. Se a gente está triste, ela pergunta o que está acontecendo. Não é só presidente, é a mãe de todo mundo, afirmou Adilson Souza, que trabalha como ferreiro, responsável pela construção e condução dos carros alegóricos.
A presidente do Salgueiro reconhece que a conquista do título deste ano pelo Salgueiro vai ajudar mais mulheres a subirem os degraus do mundo do samba. Pode ter mulheres na direção do carnaval, no almoxarifado, na dispersão. Daqui a pouco vai ter mulher ferreira e aderecista. Tem vaga para todas, disse Regina.
Antes do Salgueiro, a únicaescola presidida por uma mulher a vencer o carnaval do Rio foi a Vila Isabel, em 1988, comandada por Licia Caniné, a Ruça. Eu fui a primeira mulher a ganhar um campeonato no Grupo Especial, mas fui a sétima mulher a presidir uma escola de samba, informou.
Para Ruça – que como Regina começou no chão como passista – não foi fácil vencer a oposição e a desconfiança dos homens na sua administraçãoo. O chão da escola sempre me acolheu muito bem, o problema era o conselho. Mesmo em outras escolas, o mundo do samba era muito machista. Eu tive que me impor, recordou ela, que reclama do machismo ainda presente na agremiação de Vila Isabel. Entre as fotos dos ex-presidentes da Vila só faltam duas: a de Ildes Pereira e a minha. Nossos retratos não estão lá, lamentou.
As mulheres ainda precisam aprender a ter e a disputar poder, inclusive na política. Levou 21 anos para outra mulher ganhar o carnaval, quando devia ser tão corriqueiro, disse Ruça.
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